Post Inaugural – Especial Moviola Mistureba

Amiguinhos e amiguinhas da LBM, bem-vindos ao nosso blog!

Neste post inaugural, queremos primeiramente agradecer a sua disposição em perder alguns instantes para nos conhecer melhor. A Little Brown Mouse é uma nova marca, mas não é de hoje que fazemos o nosso trabalho. Nossa empresa é composta por esta que vos fala, Ligia, e seu digníssimo pai, Claudio, a quem carinhosamente me refiro como sócio-pai. Tudo se iniciou quando o sócio-pai (que não era nem sócio, nem pai) começou a fazer bicos de tradução com empresas da área cinematográfica para garantir o sunday do Joakin’s nosso de cada dia, isso em torno de 1974. Então, você se pergunta: “Onde raios esse coxinha foi arrumar um trampo desses?”. Foi tudo facilitado pelo meu avô, Adone Fragano, que foi diretor da Fama Filmes e da  Paris Filmes e até hoje mantém uma empresa de produção e distribuição de filmes aqui no Brasil (beijinho no ombro). O sócio-pai se enveredou por outros caminhos profissionais no começo da sua vida adulta, mas não se realizou, retornando assim à tradução e pietagem de filmes em 1990 (quando já era pai, mas não sócio) e transformando o bico em sua bem-sucedida carreira que adentra os dias atuais. Como o fruto não cai muito longe do pé, eu já no colegial comecei a fazer trabalhinhos de tradução com o sócio-pai, que pacientemente me explicava que sand dollar não era um dólar de areia (sabe aquelas bolachas do mar? então) e outras coisas do tipo. Isso me levou a estudar Letras e me profissionalizar no caminho das línguas. Alguns anos depois, nos associamos com a criação de uma empresa, e esse é o momento em que gosto de pensar que o sócio-pai atinge seu ponto alto pessoal e profissional, tornando-se simultaneamente meu pai e sócio. Bem, cá estamos. Talvez sejamos familiares pois vez ou outra você viu nossos nomes assinados ao fim da exibição de um filme no cinema, talvez nunca tenha prestado atenção. Preste atenção a partir de agora, pois a assinatura virá no nome de Little Brown Mouse!

Bem, agora você já nos conhece melhor. Mas, espere aí. Talvez ao ler a breve introdução acima você tenha empacado na palavra “pietagem”. Esse substantivo bacana designa o trabalho feito para definir o espaço/tempo que se tem para escrever cada legenda. Se você é fuçado e já usou algum software de tradução de legendas, deve estar pensando: “Mas não é só apertar uma tecla para parar quando o caboclo começa a falar e outra quando ele termina, escrever a legenda na caixa de texto e o computador faz o resto?”. Bem, não é tão simples assim. Para a legendagem de mídias como TV e DVD, os softwares funcionam bem dessa forma mesmo. Não é a coisa mais gostosa ficar lá fazendo isso, mas o processo é relativamente simples. Processo semelhante também existe para cinema quando se trata dos que já estão digitalizados, o que chamamos de DCP. Porém, nem todos os cinemas (na verdade, talvez a maioria deles) são digitalizados. Muitos deles ainda trabalham com as cópias de 35mm, que são aqueles rolos de filmes clássicos e pesadões que muitas vezes são usados como símbolo do cinema. Para definir o espaço/tempo das legendas nessas condições, é preciso fazer a pietagem numa máquina chamada MOVIOLA (foto). E, depois de muitos rodeios, isso nos traz ao verdadeiro sentido do post inaugural, que é justamente contar para vocês sobre a querida moviola que temos conosco.

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Afinal, o que é uma moviola e como ela funciona? Um pouco de história antes. Voltando a 1974, quando o sócio-pai começava a fazer seus trampos como tradutor e marcador e quando nenhum cinema era digital, fez-se necessária a existência de uma moviola com a qual pudesse trabalhar a qualquer momento. Assim, nesse mesmo ano foi encomendada a fabricação de uma moviola exclusiva. Ela foi feita no Rio de Janeiro pela Titra Filmes, empresa de legendagem da época, e foi adaptada a partir de uma enroladeira de filmes. Olhando para a foto da moviola, imagine apenas a mesa com os carretéis. Isso seria uma enroladeira, instrumento usado meramente para rebobinar rolos de filme. Bem, a partir dessa enroladeira, foram adicionadas as seguintes peças: um leitor de som com lâmpada excitadora, uma lâmpada para leitura de imagens, um amplificador, uma caixa de som e um contador de pés. Pronto, estava feita a moviola!

Agora sim, como ela funciona? Como uma imagem vale por mil palavras, vamos assistir ao vídeo com alguns segundos de pietagem (não deixe de notar a elegância do sócio-pai operando a moviola).

A moviola funciona através de um processo fascinante no qual uma lâmpada lê o som do rolo de filme. Sim, uma lâmpada! Ela é chamada de lâmpada excitadora. Assim, o trabalho na moviola é prioritariamente auditivo. Caso haja alguma dúvida que só uma olhadinha na cena pode resolver, há também uma lâmpada normal que ajuda a pessoa marcando o filme a enxergar o que aparece nos minúsculos quadradinhos do rolo que exibem o filme fotograficamente, segundo a segundo. Uma lupa também pode ajudar nessa hora. Melhor dar uma corridinha no computador e assistir a cena lá, não é mesmo?

Tendo sido construída em 1974, este ano a moviola completa 40 anos. Vamos encerrar este post agradecendo mais uma vez nossos leitores e desejando que a moviola viva mais 40 anos nos ajudando a realizar pietagens maravilhosamente precisas, para que ninguém tenha que passar pela terrível experiência de assistir filmes com legendas fora de sincronia 😉 Parabéns, moviola!


Tradutora e revisora de legendas para cinema há dez anos. Leitora de livros, Piauí, The New Yorker e todo tipo de porcaria da internet, mas sobretudo de legendas. Viajante (em todos os sentidos). Sócia-fundadora da LBM, seu projeto de vida, com o maior orgulho do mundo.

Observações

  1. O blog está lindo 🙂

  2. Bem-vindo ao mundo, Little Brown Mouse! Que possamos aproveitar por muitos e muitos anos o belo trabalho da sócia-filha, do sócio-pai e da bela esquisita moviola. Como dizemos antes de entrar no palco: MERDA!
    Deus abençoe a empreitada docêis.

  3. Maravilhoso, Fantástico, Estupendo. Texto SensAcional!!! Sucesso!!! Bjs Da Prima—Sobrinha—Nao—Sócia

  4. Alessandro Commisso Diz: junho 9, 2014 at 2:12 am

    Bom o blog. Muito bom.

  5. Dico (futuro sócio) Diz: junho 9, 2014 at 2:44 am

    Parabéns LBM, assim são os primeiros passos de uma grande empresa, fundada em raízes sólidas.

  6. marcello Diz: junho 9, 2014 at 3:05 am

    mto bom o texto! mesmo vendo uma moviola ha tanto tempo, nunca tive tanta clareza de como funciona! alias, recomendo para um novo post uma foto da moviola-irma q habita aqui em casa, ate pq ela eh esteticamente diferente dessa dai!

  7. Parabéns, Lígia, e vida longa à LBM. Aliás, nome, logo, blog, tudo muito bacana.

  8. Fernanda V. Diz: junho 10, 2014 at 9:05 am

    Que lindo post, lilis! Muito bem escrito e interessante… não que eu esperasse menos do que isso vindo de você!
    Parabéns a você e seu sócio-pai pela LBM, pelo blog e pelo video!
    Como não poderia faltar, saudades de além-mar de alguém que te gosta muitíssimo! 🙂

  9. Muito bom! Parabéns pelo blog e pela escrita!

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